terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
resPIRAção
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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
domingo, 1 de fevereiro de 2009
Uma canção
Ainda que a correria dos dias quase a engolisse podia ouvir uma música que ecoava ao longe em meio a seus pensamentos. Decidindo descobrir do que se tratava, resolveu prestar atenção ao que ouvia. Fechou os olhos e deixou-se ir em direção as notas.
Aos poucos foi perdendo a noção de seu corpo, não sentia mais o peso de sua carne.
Ela misturou-se ao som deixando-se ser embalada pela melodia. O ritmo oscilava, ora estava calmo e sereno, ora sentia como se estivesse sendo jogada de um lado para o outro.
Entregando-se mais um pouco ao momento, seus sentidos já não mais lhe pertenciam. Deixou-se ir cada vez mais fundo até que sílabas, abafadas pelo som, começaram a formar frases inteiras legíveis ao ouvido. A canção possuía sua letra.
De início não se deu por conta do que estava a ouvir apenas deixava-se flutuar seguindo o ritmo e a melodia.
Então tudo começou a ficar mais agitado, como se as notas atropelassem umas as outras desfigurando a canção em estranhos ruídos, altos e estrondosos. Uma grande agonia tomou conta do ambiente consumindo todo o oxigênio existente, Ela não mais podia respirar... ficou ali, quase a desmaiar, entre a vida e a morte.
Por fim, o ritmo e a melodia se restabeleceram e uma voz com tom de eternidade fez-se ouvir. A voz cantava os dias de sua vida. Momentos de calmaria e de grandes tempestades eram traduzidos em notas e oitavas, formando seus próprios refrãos de acordes.
Entregue que estava ao momento, nada podia fazer a não ser deixar-se flutuar em sua própria canção. Ela dançou... Morreu inúmeras vezes, de rir e de chorar, viveu sempre por amor e ser capaz de amar...
Depois de alguns minutos tudo acabou. O silêncio se fez presente. Ela estava exausta, como se não coubesse em si a própria vida. Ainda tonta de tantos rodopios, saltos e quedas, sentou-se em um canto da sala. A mente estava vazia. O corpo dormente.
Mais alguns minutos se passaram, até que ela conseguisse restabelecer o raciocínio.
Ela entendeu que toda uma vida pode ser representada em uma canção e que a Existência é como um grande e infinito concerto.
Ainda atordoada com que acabara de vivenciar, percebeu que apesar de ouvir sua própria canção, dançar seus reveses e conquistas, não sabia dizer ao certo quem construíra os arranjos de sua vida.
Apesar de conhecer suas limitações e dificuldades decidiu que estava na hora de tentar.
Ela passou a compor, escrever e arranjar sua própria canção.
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Aos poucos foi perdendo a noção de seu corpo, não sentia mais o peso de sua carne.
Ela misturou-se ao som deixando-se ser embalada pela melodia. O ritmo oscilava, ora estava calmo e sereno, ora sentia como se estivesse sendo jogada de um lado para o outro.
Entregando-se mais um pouco ao momento, seus sentidos já não mais lhe pertenciam. Deixou-se ir cada vez mais fundo até que sílabas, abafadas pelo som, começaram a formar frases inteiras legíveis ao ouvido. A canção possuía sua letra.
De início não se deu por conta do que estava a ouvir apenas deixava-se flutuar seguindo o ritmo e a melodia.
Então tudo começou a ficar mais agitado, como se as notas atropelassem umas as outras desfigurando a canção em estranhos ruídos, altos e estrondosos. Uma grande agonia tomou conta do ambiente consumindo todo o oxigênio existente, Ela não mais podia respirar... ficou ali, quase a desmaiar, entre a vida e a morte.
Por fim, o ritmo e a melodia se restabeleceram e uma voz com tom de eternidade fez-se ouvir. A voz cantava os dias de sua vida. Momentos de calmaria e de grandes tempestades eram traduzidos em notas e oitavas, formando seus próprios refrãos de acordes.
Entregue que estava ao momento, nada podia fazer a não ser deixar-se flutuar em sua própria canção. Ela dançou... Morreu inúmeras vezes, de rir e de chorar, viveu sempre por amor e ser capaz de amar...
Depois de alguns minutos tudo acabou. O silêncio se fez presente. Ela estava exausta, como se não coubesse em si a própria vida. Ainda tonta de tantos rodopios, saltos e quedas, sentou-se em um canto da sala. A mente estava vazia. O corpo dormente.
Mais alguns minutos se passaram, até que ela conseguisse restabelecer o raciocínio.
Ela entendeu que toda uma vida pode ser representada em uma canção e que a Existência é como um grande e infinito concerto.
Ainda atordoada com que acabara de vivenciar, percebeu que apesar de ouvir sua própria canção, dançar seus reveses e conquistas, não sabia dizer ao certo quem construíra os arranjos de sua vida.
Apesar de conhecer suas limitações e dificuldades decidiu que estava na hora de tentar.
Ela passou a compor, escrever e arranjar sua própria canção.
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sábado, 31 de janeiro de 2009
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
Diferença
Sempre tive a sensação de pertencer a outro lugar. Estranhava as palavras com que me falavam e achava esquisito as pessoas não ouvirem o que eu ouvia. Na escola, na faculdade, a sensação de não ser daqui inquietava-me. Aprendi uma maneira de me comportar que não era minha, um idioma que não coincidia com o meu, emoções que me não provocavam qualquer eco interior. No fundo da minha alma estava de visita e cabia-me, por necessidade e educação, adotar os hábitos nativos, que se me afiguravam complicados e inúteis. Ainda hoje me surpreende as pessoas julgarem que não tenho sotaque e não é à língua que me refiro, é a tudo o resto.
Antonio Lobo Antunes
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quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
Enfrentamentos
Enfrentar os medos e o que se oculta no dentro.
(formas fantasmagóricas e um tanto sem cores)
Estava na hora! Ufa!!!
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quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
Vozes sem som
ela retirou o som das palavras
(repetitivas palavras)
e partiu com outras oitavas
em busca de novas composições
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(repetitivas palavras)
e partiu com outras oitavas
em busca de novas composições
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segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
sábado, 17 de janeiro de 2009
O que me-dita?
Escrever é como tirar do dentro, dar forma e sentido as sílabas soltas e sem nexo que se debatem nas paredes internas...
É como se ao dar-lhes consistência encontrassem o sentido... possibilitando-me restabelecer o silêncio no dentro.
Talvez seja esta uma das maneiras de reconhecer o que me habita nas ideias, nos sentidos e nos sentimentos.
E quem sabe além, muito além da superficialidade das próprias palavras, mas através delas, possa encontrar as origens do que me escreve, o que me dá sentido e pelo qual existo.
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