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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Um papo solar



Esses habitantes da Terra estão a me confundir. Ando no mesmo ritmo há tanto tempo que já nem sei fazer as contas. E até onde a idade me deixa lembrar, trafego os mesmos espaços de sempre salvo uma luz que outra que ora aparece, ora desaparece.
Há muito tempo escuto um palavreado sobre zodíaco tropical e zodíaco sideral. Então o caminho que percorro possui esses dois sobrenomes, mas na minha visão as paragens são sempre as mesmas. Que confusão é essa?
Bons eram os tempos em que me prestavam homenagens e reinava absoluto no céu. Tinha vários codinomes. Para os babilônicos meu nome era Shamash, para os egípcios, Rá, ainda que tenham criado outras denominações essa foi a mais conhecida. Assim como os indianos que me confundiam sempre com vários e diferentes nomes, e tantos outros povos de diferentes latitudes e longitudes.
Fiquei mais conhecido pelo nome que recebi dos gregos, Apolo. Um nome simpático, porém já não era mais o soberano dos céus. Júpiter passou a ser conhecido como Rei do Olimpo e seu nome passou a ser Zeus. O que é o Olimpo? Por que Júpiter?
Ri-me muito quando descobri que pensavam que nascia e morria todos os dias. Dias? O que isso significava? Custei a entender. Pobres terráqueos! Não ouve um segundo de grau sequer que minhas luzes tenham se apagado.
Como podem ser tão estranhos? Agora escuto que não sou o único Sol dos céus e que moro em um lugar chamado Via Láctea... segundo ouvi é apenas uma de inúmeras galáxias existentes.
Era só o que faltava!
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domingo, 1 de fevereiro de 2009

Uma canção

Ainda que a correria dos dias quase a engolisse podia ouvir uma música que ecoava ao longe em meio a seus pensamentos. Decidindo descobrir do que se tratava, resolveu prestar atenção ao que ouvia. Fechou os olhos e deixou-se ir em direção as notas.

Aos poucos foi perdendo a noção de seu corpo, não sentia mais o peso de sua carne.

Ela misturou-se ao som deixando-se ser embalada pela melodia. O ritmo oscilava, ora estava calmo e sereno, ora sentia como se estivesse sendo jogada de um lado para o outro.

Entregando-se mais um pouco ao momento, seus sentidos já não mais lhe pertenciam. Deixou-se ir cada vez mais fundo até que sílabas, abafadas pelo som, começaram a formar frases inteiras legíveis ao ouvido. A canção possuía sua letra.

De início não se deu por conta do que estava a ouvir apenas deixava-se flutuar seguindo o ritmo e a melodia.

Então tudo começou a ficar mais agitado, como se as notas atropelassem umas as outras desfigurando a canção em estranhos ruídos, altos e estrondosos. Uma grande agonia tomou conta do ambiente consumindo todo o oxigênio existente, Ela não mais podia respirar... ficou ali, quase a desmaiar, entre a vida e a morte.

Por fim, o ritmo e a melodia se restabeleceram e uma voz com tom de eternidade fez-se ouvir. A voz cantava os dias de sua vida. Momentos de calmaria e de grandes tempestades eram traduzidos em notas e oitavas, formando seus próprios refrãos de acordes.

Entregue que estava ao momento, nada podia fazer a não ser deixar-se flutuar em sua própria canção. Ela dançou... Morreu inúmeras vezes, de rir e de chorar, viveu sempre por amor e ser capaz de amar...

Depois de alguns minutos tudo acabou. O silêncio se fez presente. Ela estava exausta, como se não coubesse em si a própria vida. Ainda tonta de tantos rodopios, saltos e quedas, sentou-se em um canto da sala. A mente estava vazia. O corpo dormente.

Mais alguns minutos se passaram, até que ela conseguisse restabelecer o raciocínio.

Ela entendeu que toda uma vida pode ser representada em uma canção e que a Existência é como um grande e infinito concerto.

Ainda atordoada com que acabara de vivenciar, percebeu que apesar de ouvir sua própria canção, dançar seus reveses e conquistas, não sabia dizer ao certo quem construíra os arranjos de sua vida.

Apesar de conhecer suas limitações e dificuldades decidiu que estava na hora de tentar.

Ela passou a compor, escrever e arranjar sua própria canção.

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sexta-feira, 7 de novembro de 2008

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Há muito tempo...


Há muito tempo aprendi que as tempestades podem ser nossas melhores amigas, que é necessário que os ventos soprem intensamente retirando a estagnação dos corpos e das mentes...
Há muito tempo entendo que o melhor de nós é justamente aquilo que nos diferencia e nos torna únicos e imortais...
Há muito tempo busco a mim mesma, montando o mosaico do Ser e da existência, incontáveis vidas, tentativas, dores, alegrias, derrotas e vitórias, chegadas e partidas...
Há muito tempo entendo que tudo não passa de uma colcha de retalhos, onde esticamos os emaranhados construídos no passado, de muitas vidas e até mesmo de muitos mundos...
Há muito tempo não me reconheço, não sei quem está e onde está, quem sente, pensa, deseja... múltiplas personalidades coabitando, interagindo nas diferentes dimensões de meus corpos...
Há muito tempo entendo que os corpos existem apenas como meio de manifestação e representam toda a possibilidade de evolução, de construção e de reconhecimento do viver...
Há muito tempo ando por estradas, caminhos e trilhas por meus próprios pés forjadas e muitas foram às vezes em que parceiros de outros mundos me carregaram em seus braços, acenderam lamparinas, marcaram com suas cores as direções do caminho...
Há muito tempo entendo que não há, nem nunca existiu um pódio de chegada, que a vida não é uma corrida maluca em busca de reconhecimento e de status, mas de aprimoramento e construções internas e que a verdade de quem realmente somos fica protegida e velada dos olhos daqueles que nada sabem, mas que pensam de tudo saber...

Há muito tempo aprendi que sou constituída de muitas verdades, de muitos caminhos, de muitos eus, de muitas, múltiplas e simultâneas vidas...

Há muito tempo entendo que Ser não cabe nas palavras e muito menos em livros, que a mente não sabe Ser, que a mente teme o Ser e dele busca se proteger...
Há muito tempo entendo que não pareço coerente e razoável àqueles que nunca me viram e dizer-lhes que podemos ser uma única e mesma realidade talvez não lhes faça sentido algum...
Há muito tempo sei que não importa o tempo, as estações e as luas, o que É não deixa de Ser e Existir pela ignorância e inconsciência...
Há muito tempo aprendi que vastos, vários e incontáveis são os mundos que me habitam e que posso ser do jeito que fores capaz de me olhar e ainda assim, nada altera ou muda o que realmente Sou...
Há muito tempo aprendi que tudo e todos me constituem, mas que ainda assim não são tudo o que Eu Sou...


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terça-feira, 2 de setembro de 2008

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Não quero fazer sentido ou ter explicação, quero apenas ser o que sou, sem pedir desculpas por isso. Estar feliz sem nenhum motivo e me sentir perdida ainda que conheça exatamente minha localização.




Tudo que é exato não me pertence, prefiro viver no caos interior que ser normal e classificável... Não gosto do teatro dos egos... personalidades sempre se debatem no raso. Quero os mundos que se misturam em mim mesma, ainda que não consiga tocá-los... prefiro a loucura de quem experimenta e erra, fragmentando-se em mil pedaços, do que aquele que viveu sonhando sem nunca sair do lugar.


Preciso de minhas ferramentas e liberdade de expressão, prezo tudo que me constitui... sou consciente de minha condição, de quem sou e do que devo construir, não quero perder tempo com os cegos que enxergam, ou com os surdos que ouvem, apenas porque a verdade lhes dói ou seus corpos não estão prontos. Pronta, estou eu, para viver e voar... porque insistem em podar minhas asas, como se a elas não fosse facultado o poder de renascer?!

Quem pensa que sabe deveria se esforçar mais, colocar lentes de aumento e deixar-se flutuar no cosmos, então entenderá que tudo é muito maior do que já fora escrito e que ninguém, nada, por mais que atrapalhe, pode apagar os traços da antiguidade. Essa antiguidade não é amorfa ou caduca, mas sabia e resistente, traz em si a poeira e os trapos daqueles que não possuem mais corpos, mas que resistem a inconsciência, a ignorância e a disputa de egos.


Hoje eu só quero dizer: ai... ai...

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quinta-feira, 21 de agosto de 2008

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A ANDARILHA


Era uma vez uma mulher que andava pelas ruas e florestas. Era jovem de aparência e ao mesmo tempo antiga como o tempo. Carregava consigo uma mochila onde guardava seus bens mais preciosos. Ainda que tivesse muitos amigos e conhecidos preferia caminhar sozinha, admirando a paisagem, o sol, a lua...
Uma noite, cansada de caminhar, chegou a uma encruzilhada, no centro de uma floresta, sem saber exatamente que direção tomar resolver descansar um pouco e admirar a noite. O céu estava claro, as estrelas mais brilhantes do que conseguia recordar, e no centro do céu a constelação de Órion a observá-la. Embriagada pelo momento, sentindo-se plena e em paz, adormeceu.
Sem perceber o tempo passado acordou com um barulho estranho... Curiosa como sempre fora, resolveu averiguar do que se tratava, tudo para ela era uma aventura e a possibilidade de aprendizado.
Seguindo o som embrenhou-se na floresta, por alguns instantes parecia estar muito próxima, em outros, completamente distante, mas sem desistir, continuou sua busca. O som foi aumentando e parecia vir de dentro de uma grande pedra... Ainda sem conseguir encontrar sua resposta aproximou-se cada vez mais até perceber que se tratava em realidade de uma caverna. Era estranha, ao mesmo tempo em que parecia escura e profunda possuía luz própria, o que lhe permitia ver o que acontecia em seu interior. Extasiada pelo que vira, não percebeu a aproximação de um homem, assustando-se quando esse lhe tocou o ombro. Era um homem jovem, alto, magro, e fazia sinal de silêncio, esboçando um sorriso confiável. Ficaram por quase uma hora apenas observando o que se passava naquela estranha caverna. Ainda em silêncio o jovem homem segurou sua mão levando-a para longe dali. Quando não mais avistavam a caverna, a Andarilha, no ímpeto de entender o que vira, perguntou ao jovem:
A - Quem são aquelas mulheres? O que elas estavam fazendo? Porque elas não têm olhos?
H – Calma! Aquelas mulheres são as filhas da noite, as guardiãs da vida, tecem o destino dos homens. Não possuem olhos porque sua visão não é física, para elas não importam as formas, apenas os registros internos.
A – A primeira tecia o fio, a segunda o esticava e a terceira? O que ela tinha no lugar das mãos?
H – Uma tesoura! A terceira corta o fio quando a vida se extingue.
A – Como assim?
H - Quando alguém morre no plano físico, passa para o mundo astral, e para que isso aconteça o fio é rompido.Enquanto conversavam continuaram a caminhar chegando a encruzilhada onde ela adormecera.
A – Então essas mulheres são as Guardiãs do Destino dos homens? Tudo já está pré-destinado?
H – É quase isso!
Sorrindo ele continua sua explicação:
H – A Primeira mulher não tece o fio da vida em uma Roca qualquer, essa é chamada de Roda Cármica e a partir do seu giro alguns homens podem renascer, outros não, tudo vai depender de uma série de fatores planetários, que elas conhecem muito bem. Quando um homem nasce, ele tem seu destino, suas metas, seu porque de renascer, isso pode variar muito de pessoa para pessoa, pois nunca o nascimento é obra do acaso. A segunda Mulher, que estica o fio, vai determinar os lugares, as pessoas e as circunstâncias em que os renascidos vão construir suas vidas de acordo com seus históricos cármicos.
A – Então não podemos alterar nada? Elas decidem tudo de acordo com nosso passado?
H – Eu disse que é quase isso! Vou te explicar melhor. Olhe a estrada a sua frente, o que vê?
A estrada era diferente de quando chegara naquele lugar, o que antes era uma encruzilhada agora era uma reta sem fim e no mesmo instante que era de terra, parecia ser de pedras douradas, alternando-se em sua visão.
A – Vejo uma única estrada e ao mesmo tempo parecem ser duas, uma de terra e a outra de pedras douradas.
H – Isso mesmo, essa é a diferença, consegues perceber?
A – Não! Porque parecem duas?
H – Na realidade é apenas uma, mas o que determina se ela será de terra ou de pedras douradas são as escolhas que fizemos, aquilo que levamos conosco e o que somos capazes de adquirir no caminho.
A – Como assim?
H – Nessa estrada muitas vezes serás ferida por aqueles a quem ama, sofreras doenças, sentirás falta de muitas coisas. Vais tropeçar em pedras que não verás, vais cair e levantar e a diferença está no que carregas em tua bagagem e das escolhas que fizeres a cada momento. As pessoas podem acrescentar elementos em tua bagagem e elas por si só fazem parte de teu caminho, mas o que construirás com elas é de tua escolha. O amor e o ódio, o ressentimento e o perdão, a ignorância e o entendimento, são o que fazem parte de nossas escolhas. Podes cair no chão e ficar lamentando a queda, culpando alguém, mas podes cair e tentar entender porque não percebeu a pedra, entender que mesmo ela faz parte de teu caminho. Podes ser ferida, magoada e te defender, revidando e magoando da mesma forma, ou até mesmo, com mais intensidade, mas podes tentar perdoar, entender e ajudar quem te feriu, tudo são escolhas, o tempo todo.
A – Então é isso! Somos responsáveis por nossas escolhas mesmo que não se saiba o por que de nossas vidas.
H – Sim, é isso. Tuas escolhas vão determinar os giros da Roda, e o que vais carregar ou não em tua bagagem. Podes chegar no final da estrada com uma bagagem rica e plena de realizações, ou pode levar consigo apenas as faltas e dores sofridas. A maioria das pessoas possui uma mescla das duas coisas, assim como a estrada que se alterna à tua frente.

Sentindo-se desconfortável, com dores no corpo, ela acorda. Percebe que o Sol já estava alto e custa a entender o que se passou. Levantando-se devagar, continuava na mesma encruzilhada, mas não existiam dúvidas sobre qual caminho seguir. Pegou suas coisas pôs-se a caminhar, relembrando sua experiência olhava para o chão e via a estrada alternado-se, as pedras douradas eram lindas e o Sol as faziam mais brilhantes que no seu sonho. Entendeu que teve um lindo encontro com as Senhoras do Destino e agradeceu com a força de todo seu Ser por esse momento, dando-se conta que não sabia quem era o homem que tanto a ensinou e foi então que a intuição pulou de sua mochila e lhe disse ao ouvido: - Livre-arbítrio!
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terça-feira, 12 de agosto de 2008

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Apenas uma Lua

Nasci na constelação de capricórnio, oposta ao Sol em Leão, quase sem querer... Já que é difícil para os elementos em questão (terra e fogo) construírem entre si esse aspecto... mas nada foi fácil e essa seria apenas mais uma das dificuldades. Enquanto meu contraponto, o belo Apolo, está acompanhado da Cauda do Dragão, tendo consciência de suas passagens anteriores, a cabeça do monstro me faz companhia, esperando que lhe diga a direção que deve tomar... Ou será que eu é que a sigo?! Mmmm de qualquer forma, aonde uma vai a outra vai junto já que estamos (eu e a cabeça) na mesma constelação.


Em declínio, minhas fases já não podem ser tão fluídas, tornam-se mais sólidas com a responsabilidade de significação a cada grau percorrido. Recebo as graças de Hades, meu amado Plutão, em um trígono crescente, servindo de intermediário em sextil com Apolo. Somente ele toca a nós dois, e a responsabilidade aumenta, pois tenho eu mesma, que descer nos abismos de seu território.


Lugares sombrios e escuros são minha morada, já que em capricórnio as cavernas lhe servem de casa... Então, desde muito cedo tive de aprender as lições da solidão, e do afeto por conta-gotas... sinto falta do que não tive, ou que me foi negado, ou simplesmente estava ali, mas não ao meu alcance.


No dia que nasci estava bela, linda e radiante, contando as horas para me tornar cheia, muitas pessoas olhavam minha face e já me viam como se cheia estivesse, mas faltavam 6h para isso, então estava em uma fase de transição, em um dia de troca de bastão, sairia da crescente e entraria na fase cheia... E até isso é confusão... Ai... ai... no final das contas não era nem uma nem outra e há quem diga, como Dane Rudyar, que estava corcunda, será? O que isso quer dizer!? Bem peguei os livros e lá fui eu... Lua Corcunda...
“Tende a dar muita atenção ao desenvolvimento da sua própria capacidade de crescimento pessoal, deseja oferecer valor e significado à sua sociedade, à própria cultura, ou de modo geral, a própria vida. Pergunta-se repetidamente, “por quê?”, e trabalha no sentido do esclarecimento de questões pessoais ou sócio-culturais, tendo em mente algum tipo de objetivo que para ela é importante. Em geral, possui uma mente aguçada e de capacidade para associar idéias e conceitos, procurando com isso tornar possível algum tipo de revelação ou de iluminação...”
Sabias palavras de Dane... ainda que sejam muitas as perguntas sem resposta.

Uma vez, ouvi um comentário pelo Zodíaco que se conseguisse vencer minhas carências conseguiria materializar qualquer coisa que desejasse com intensidade, ou que sentisse necessário que meu fosse... às vezes isso realmente acontece, mas meu inconsciente atrapalha e acabo materializando as faltas, talvez mais do que as presenças... Estou aprendendo, e a sensação de culpa é apenas mais um sintoma de capricórnio, que acredita que se algo não deu certo, é porque ele falhou... Ai...ai...

Depois de Dane, fui procurar ajuda com um senhor chamado Eugênio Carutti, dono da "Casa XI" uma das maiores universidades de astrologia da América Latina (sim, isso existe e possui mais de 500 alunos por semestre... são muitas irmãs buscando entendimento) e foi então que ouvi pela primeira vez que possuía talentos... andava pesarosa, achando que tudo era incompreensão e frio, mas ele me deu uma luz...

“Quando realmente te abrir para uma nova circulação de energia, dissipando as dores e tristezas que teu rosto me mostra, aparecerá a solidez emocional que permite um contato mais profundo com o humano, em suas limitações e necessidades. O fundo melancólico que era próprio de tuas fases anteriores dará lugar a um profundo realismo, capaz de encontrar as melhores formas possíveis para o desenvolvimento da criatividade. Nada melhor que a lua em capricórnio para compreender a esterilidade do isolamento e a cristalização do passado. Construir formas que respondam as necessidades reais, articulá-las com os demais e ser capaz de renová-las com um ajustado sentido de tempo... essas são as suas expressões naturais integradas a totalidade da estrutura... vai descobrir que possui uma tendência a simbiose e a dependência emocional muito menor que as demais luas e que portanto, esse é o talento: a capacidade de solidão, porque realmente não necessita “que os outros lhe preencham a vida”, aparecendo dessa forma a expressão de uma emoção madura, capaz de sustentar-se sem dependência, com real aprumo e de resistir a situações que seriam muito difíceis para os outro...”

Agradecida, tomei posse de meus talentos...
Já não procuro aqui e ali as razões de meus infortúnios, apenas tento aprender com eles, entendendo que a maior dificuldade pode se tornar o melhor talento... Saber aprender nem sempre é fácil, ainda mais quando precisa-se fazer uma re-leitura de nossos posicionamentos.
Nada vai mudar os fatos, mas posso mudar o ângulo de visão... e é isso...

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terça-feira, 22 de julho de 2008

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Uso palavras soltas
De forma irresponsável e sem pretensão
Gosto de combinações imperfeitas
Combino verdades com ilusão


Brinco de escrever
Dispenso talento
Procuro nas letras
Um tanto de alento

Gosto das formas oníricas
Repletas de ilusões pretéritas
Que desvelam-se diante de mim
Em frases quase incompletas

Sou assim...
Sem começo... e sem fim...
Uma eterna descoberta!

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segunda-feira, 21 de julho de 2008

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Estou cansada do nada,
Desta falta de mim mesma!
Estou com fadiga do cotidiano,
O igual de todo dia...
Sinto sonolência diante do óbvio...
Minhas vísceras doem,
Quisera poder servi-las à mesa!


Quero, agora, a presença da alegria
Quero a leveza que me foi roubada,
Sem beijos de despedida!
Quero, agora, o doce sabor de outrora!


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segunda-feira, 26 de maio de 2008

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Problemática de uma Vênus Natal
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Meu posicionamento não é dos mais agradáveis, ainda que outras Vênus ficassem felizes por estar na sétima casa, sentia-me dupla, confusa em meus desejos, tirava e colocava o cinturão, sem saber donde vinha a estranheza. Logo identifiquei os Dióscuros... Estava em gêmeos, e como Castor e Pólux, vivia como deusa e mortal. As progressões e revoluções foram se passando, e sobre meus pés um peso enorme crescia. Tentando descobrir o que estava acontecendo procurei meu amigo Sol... Alguns graus acima... Lá estava ele, resplandecente em sua própria constelação, um tanto indeciso se ficava na oitava casa ou se seguia para a nona.

Chamei-o:

- Querido Apolo, podes conceder-me um raio de tua luz?
- Bela Afrodite! O que fazes aí embaixo?
- Nasci aqui na sétima casa, com os Dióscuros!!! Ainda que duplamente ar, sinto-me atada... Não consigo ver o que me aprisiona dessa maneira!

Apolo riu-se de minha ingenuidade, e um pouco sem graça concedeu-me um tanto de sua luz...
Não conseguia acreditar no que estava vendo...
Saturno... Saturno com seus anéis me retia!

- Cronos, o que fazes aqui?
- Nasci alguns graus antes de ti, Afrodite, e temos uma vida para caminhar juntos...

Aquelas palavras me soaram ameaçadoras e entendi porque Apolo ria-se tanto... Não poderia, com a presença de Cronos, usar meu cinturão em vão... Tudo estava terrivelmente explicado.

Assentei-me sobre os calcanhares e fiquei a ouvir o que Cronos tinha a dizer... Foram inúmeros graus, revoluções e progressões de conversas e aprendizagens sobre carma nos relacionamentos e solidão, mas também sobre autonomia e independência, ainda que tudo venha tardiamente... Tive que aprender a ser mais deusa quando tudo que desejava era ser apenas humana e mais humana quando deveria ser apenas deusa.

Júpiter a 180º ri de minha desgraça, ainda que sua sorte não seja das melhores, pois Plutão vigia-lhe os passos em 90º.

Mal posso sentir as asas de meu querido Mercúrio, que timidamente toca-me em 60º.

Tenho como aliado apenas Urano, que no alto de sua décima primeira casa, rompe como um raio os anéis de Saturno, e mesmo que sejam segundos de graus, consigo usar meu cinturão e me perder entre as constelações...

Tão logo o choque da modernidade passe, Saturno, ainda que modificado, recomeça seus ensinamentos... E lá vou eu, consertando os maus graus que andei...

De revolução em revolução vou logrando um grau aqui e outro ali, mas Saturno vem logo atrás, não entende que minha natureza é das Bacantes e insiste em me tornar uma Hera... Ele sempre teve dificuldades em aceitar as situações...

Como no Cosmos nada é eterno... Fui espionar os posicionamentos futuros e a nova Revolução traz presságios felizes...

Da sétima casa passarei para primeira e trocarei os Dióscuros por Leão... Quanta felicidade!!!

Para expansão de meu domínio o “querido” Saturno estará muitos graus e uma constelação à frente... Terei por companheiro Apolo, que vem iluminando meu caminhar e trazendo em sua lira o amado Mercúrio!

Essa Revolução promete! Ô Sorte!!!!




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